A hipnose funciona? O que acontece mesmo numa sessão
Por Marcelina d’Andrade · Terapeuta Analítica de orientação junguiana, Hipnoterapeuta e Terapeuta Espiritual
A hipnose funciona mesmo?
A hipnose usada em terapia é um estado natural de atenção focada — o mesmo que ocorre a quem está absorvido num livro — e não uma forma de sono ou de perda de controlo. Durante uma sessão de Hipnoterapia a pessoa permanece consciente, recorda o que aconteceu e pode interromper quando quiser; nenhuma sugestão contrária aos seus valores é aceite. É usada para aceder a memórias, padrões e recursos interiores fora do alcance da consciência desperta, de forma pontual ou integrada num processo. Não trata doenças nem substitui acompanhamento médico ou psicológico.
Poucas palavras carregam tanta ficção como hipnose. Quem chega a uma primeira sessão traz quase sempre a mesma imagem: um palco, um pêndulo, alguém a cacarejar diante de uma plateia. A prática terapêutica não tem nada que ver com isso, e a diferença começa na própria ideia de o que é este estado.
O que é, afinal, o estado hipnótico?
O estado hipnótico não é sono nem inconsciência. É um estado natural de atenção focada, com a consciência periférica reduzida, o mesmo que acontece a quem está absorvido num bom livro, a conduzir um trajeto conhecido, ou a olhar para o mar sem dar pela hora. Toda a gente entra nesse estado várias vezes por dia. Numa sessão de Hipnoterapia, esse estado é apenas convocado de propósito e usado com uma direção.
Perde-se o controlo?
Não. Esta é a pergunta que mais vezes ouço, e a resposta é sempre a mesma:
- Permanece consciente do princípio ao fim da sessão.
- Recorda-se do que aconteceu, como se recorda de uma conversa.
- Ouve tudo o que é dito e pode responder, parar ou abrir os olhos quando quiser.
- Nada é feito contra a sua vontade: nenhuma sugestão contrária aos seus valores é aceite.
A pessoa hipnotizada não é uma pessoa dominada. É uma pessoa com a atenção muito concentrada e a atenção continua a ser dela.
O que se faz durante a sessão?
Trabalha-se com aquilo que está fora do alcance imediato da consciência desperta: memórias que ficaram por integrar, padrões que se repetem sem explicação aparente, recursos interiores que a pessoa não sabe que tem. O terapeuta acompanha e propõe; não decide nem substitui a vontade de quem está a fazer o trabalho.
Quantas sessões são precisas?
Depende inteiramente do que se procura. A Hipnoterapia pode ser realizada de forma pontual, com um objetivo específico e delimitado, ou ser integrada num processo terapêutico mais longo. Desconfie de quem prometa um número fixo de sessões antes de a conhecer: essa promessa diz mais sobre a venda do que sobre o trabalho.
E se eu não for hipnotizável?
A capacidade de entrar em estado de atenção focada varia de pessoa para pessoa, tal como varia a capacidade de se concentrar num livro. Não é uma questão de força de vontade nem de inteligência, e não há nada de errado com quem entra em estados mais leves: trabalha-se igualmente bem, com outro ritmo.
O que a Hipnoterapia não é
É importante dizê-lo com clareza. A Hipnoterapia não é Psicologia Clínica, não é Psicoterapia enquanto profissão regulada em Portugal, e não substitui acompanhamento médico ou psiquiátrico quando este é necessário. Não trata doenças. Em situações de doença mental ou de urgência clínica, o caminho é procurar os profissionais de saúde competentes e um terapeuta honesto diz-lhe isso à primeira conversa.
Perguntas frequentes
Perde-se o controlo durante a hipnose?
Não. A pessoa permanece consciente do princípio ao fim, ouve tudo o que é dito, recorda-se da sessão e pode parar ou abrir os olhos quando quiser. Nenhuma sugestão contrária aos seus valores é aceite.
A hipnose é sono?
Não. É um estado natural de atenção focada com a consciência periférica reduzida, semelhante ao de quem está absorvido num livro ou a conduzir um trajeto conhecido. Toda a gente entra neste estado várias vezes por dia.
Toda a gente é hipnotizável?
A facilidade de entrar em atenção focada varia de pessoa para pessoa, como varia a facilidade de se concentrar. Quem entra em estados mais leves trabalha igualmente bem, apenas com outro ritmo.
A hipnoterapia trata doenças?
Não. A Hipnoterapia não é Psicologia Clínica nem Psicoterapia enquanto profissão regulada em Portugal, e não substitui acompanhamento médico ou psiquiátrico quando este é necessário.
Se este texto tocou nalguma coisa sua, podemos conversar.
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Marcelina d’ Andrade